Fotos: Diele Jacques, divulgação
A estudante do 9° ano da Escola Borges de Medeiros Isadora dos Santos Efel, 14 anos (acima), ama cozinhar e sonha em ser chef de cozinha. Mas seus sonhos não dependem apenas de provas ou estudos. Desde maio de 2024, ela luta contra a leucemia, um tipo de câncer que afeta os tecidos formadores de sangue, incluindo a medula óssea e o sistema linfático.
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O tratamento contra a doença trouxe a família, que é natural de Cachoeira do Sul, até Santa Maria. Aqui, Isadora é atendida no setor de oncologia do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). O processo é acompanhado pelo pai, Daian Rodrigo Vasconcelos Efel, 39 anos; a mãe, Ana Paula Correa dos Santos,35, e a irmã mais velha, Yasmin, 18 anos.
Ao Diário, Daian falou sobre os primeiros sintomas apresentados pela filha e como a família recebeu o diagnóstico:
– Em maio de 2024, ela começou a se queixar de dores nas pernas e também apareceram algumas manchinhas, tipo picadas de mosquitos chamadas de petéquias. Logo após, veio o sangramento ao escovar os dentes e as dores de cabeça. Procuramos um pediatra, e ele imediatamente pediu um hemograma. Fomos encaminhados para um hematologista na cidade de Santa Cruz do sul, mas ali não nos deram o diagnóstico da Isadora. O médico falou que não era especialista, mas que o quadro dela era bem grave e já ficamos bem preocupados. Quando o hematologista fez um novo exame e constatou (a leucemia) foi um choque. Não tivemos tempo para processar. Ele nos encaminhou para o Husm no mesmo dia, e a Isadora já começou o tratamento. Tudo ocorreu em menos de uma semana.
Rede de apoio
Desde julho de 2025, o Centro de Apoio à Criança com Câncer (CACC) tem sido como uma segunda casa para a família Efel. Há 30 anos, o prédio localizado no Bairro Camobi acolhe familiares e crianças e adolescentes de zero a 21 anos em tratamento oncológico no Husm há 30 anos.
– Desde o primeiro dia de tratamento, a equipe da assistência social já se colocou à nossa disposição, oferecendo os serviços. A casa é de uma importância tão grande para as famílias que vêm de muito longe e, às vezes, precisam ficar longos períodos próximo ao hospital. Ali, temos uma rede de apoio fantástica, acomodações melhores que muitos hotéis, desde alimentação, estadia, assistência social, psicólogo, nutricionista e transporte até o hospital quando necessário. Só tenho a agradecer – conta Daian.
Esperança
Internada no Husm, Isadora mantém uma rotina envolvendo o tratamento e algumas paixões como o crochê. Ao ser questionada sobre a mensagem que gostaria de deixar para quem irá ler essa matéria, a adolescente é enfática:
– Acredite. Você é mais forte do que imagina.
Daian se emociona ao ver a filha sorridente.
– Faltam até palavras para descrever o quanto ela é incrível. Desde o começo, tem se esforçado no tratamento por mais que tenha alguma reação. Ela está sempre sorrindo e vendo tudo pelo lado bom. Ela é uma rocha. Estamos no Husm desde o dia 2 de janeiro, porque ela está fazendo uma imunoterapia, que é uma opção pós tratamento quando as quimioterapias convencionais não deram efeito a longo prazo. Ela teve duas recidivas, que é a volta da doença, em julho e outubro de 2025 – conta ao Diário.
Agora, a família iniciou uma corrida contra o tempo para garantir que Isadora consiga um transplante de medula óssea.
– Hoje, ela precisa de um transplante de medula óssea. Na família, não temos doador 100% compatível. Então, a Isadora foi cadastrada no Redome. Ela tem dois doadores 100% compatíveis, o que é ótimo, mas para efetuar o transplante com sucesso, é preciso que ela esteja em remissão. O único jeito de chegar a isso é fazendo outro ciclo de imunoterapia, como o que ela está fazendo hoje pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela precisa de outro, que está na Justiça, e o processo está muito demorado. Talvez, não chegue a tempo, e isso nos deixa muito aflitos. Muitos medicamentos também não chegam a tempo por conta da burocracia, além de terem alto custo. O primeiro que conseguimos no ano passado era R$ 998 mil, e o de agora, que foi ajuizado, é R$ 300 mil – relata o pai de Isadora.

Campanha
Fevereiro é o mês de conscientização sobre a leucemia e a doação da medula óssea, procedimento que pode mudar a vida de Isadora e de muitas pessoas. O transplante, que é semelhante a uma transfusão de sangue, depende de compatibilidade entre pessoas. Atualmente, apenas cerca de 25% das famílias brasileiras contam com um doador ideal de medula óssea. Ou seja, 75% dos pacientes precisam de um voluntário, que pode ser encontrado no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).
Ao Diário, Daian também falou sobre a importância da campanha:
– Esse mês é de suma importância para estarmos atentos a nossos filhos, fazer acompanhamento médico periódico ou um simples hemograma como o pediatra da Isadora pediu e que constatou a doença logo no início, permitindo que tudo fosse tratado rapidamente. Quanto à doação de medula óssea, precisamos de mais divulgação. Muitas pessoas não sabem como doar ou tem medo, mas é um procedimento simples que pode salvar uma vida. Se você é doador, procure manter seus dados atualizados.

Para se cadastrar como voluntário, basta agendar um horário em qualquer hemocentro pelo site da Secretaria Estadual da Saúde. E na data escolhida, comparecer no local portando documento com foto.
O doador também deverá assinar um termo de consentimento, no qual se compromete com a causa e com as etapas a serem seguidas. Após a equipe do hemocentro realizar o cadastro, é feita a coleta de sangue do doador voluntário que será enviada a um hospital autorizado para a realização do exame de histocompatibilidade.
Os dados e os testes serão incluídos no Redome. Se houver paciente compatível com o voluntário, o sistema entrará em contato com o doador, que, caso aceite a missão, terá que fazer novos exames. Somente após todas as etapas concluídas, o voluntário poderá ser considerado apto a realizar a doação.